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“DAQUI NÃO SAIO”

DE AUTOR DA AÇÃO CONTRA DILMA E TEMER PSDB PASSOU A GOVERNISTA E ANTIPETISTA GILMAR MUDOU JUNTO.

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José Nêumanne , que eu tive o prazer de conhecer pessoalmente em Juiz de Fora, quando podia dar cadeia para todos nós, ele, Elio Fernandes da Tribuna de Imprensa e nós todos quase fomos para a cadeia. Felizmente não deu cadeia e as conferências foram ótimas e nós jantamos no restaurante Brasão, que o futuro presidente Itamar Franco, também frequentava. 

Nesta época já não havia mais a ditadura de 64:

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Foto Brasão Restaurante - Restaurantes - Juiz de Fora imagem 2

 

“Cessa tudo o que a antiga musa canta se um poder mais alto se alevanta” (Gilmar, TSE) Foto Daniel  Teixeira /Estadão

“O homem é o homem e suas circunstâncias”, escreveu o xará José Ortega y Gasset. Gilmar Mendes,  baluarte antipetista no mensalão e consequentemente carrasco de Dilma no TSE, venceu, em 2015, a relatora que queria arquivar a ação do PSDB contra a chapa Dilma-Temer, de acordo com suas posições identificadas com os tucanos.  Coincidentemente ou não, ele passou a criticar ferozmente os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato, os agentes da Polícia Federal e os juízes federais que promovem o maior ataque à corrupção brasileira quando estes desvendaram que os falsos oposicionistas não eram meros omissos e preguiçosos, mas foram comprados e regiamente pagos,

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM107,3 – na sexta-feira 9 de junho de 2017, às 7h30m)

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Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:

O que motiva tanto interesse da população brasileira no julgamento da ação movida em 2014 pelo PSDB contra a chapa vencedora da eleição presidencial daquele ano?

O Brasil é o país do futebol. Nós sabemos disso você e eu. Você está acostumado a procurar os jogos do Palmeiras, seja o time que só ganhava no ano passado, seja o que tem perdido demais pela expectativa deste ano. Também não há perigo de eu assumir qualquer compromisso na hora marcada para o jogo do Flamengo, seja qual for seu desempenho nos jogos anteriores, como no vexame a que assisti anteontem, à noite, direto da Ilha do Retiro. Isso também acontece com o Almirante Nelson e com a grande maioria de nossos ouvintes. Todos nós fomos treinados ao longo da vida para festejar ou lamentar o acaso. O verso mais revolucionário da poesia moderna é do francês Stéphane Mallarmé, cujo retrato, pintado por Edouard Manet, sempre que vou a Paris vou rever com novo encanto. Um coup des dés jamais abolira l’hasard, um lance de dados jamais abolirá o acaso. Pois nestes últimos dias, desde terça-feira 13, o brasileiro acompanha o noticiário na TV, no rádio e na imprensa para acompanhar um jogo longo, enfadonho jogado por sete ministros do Tribunal Superior Eleitoral, o vice-procurador eleitoral e dois advogados. Nenhuma surpresa nele. Todos os protagonistas se comportam como se previa e só repete o que deles todos os espectdores do espetáculo infame esperavam. A multidão, fascinada pela repetição e encantada pelo fetiche de um acórdão espúrio que mantém sua vida no atoleiro infernal da crise, não leva um susto, não grita, não aplaude, não chora nem deixa o campo antes do jogo acabar. Apenas rumina sua desgraça traçada por oito homens e uma mulher que traça seu destino baseado apenas no próprio interesse pessoal e em sua ambição. O vencedor, o que soi acontecer naquele picadeiro ocupado por idosos vestidos de abutres, já é conhecido desde que o torneio começou. Já se sabe desde antes qual é o placar. Mas, fascinado pelo próprio destino aziago, a multidão não para de questionar nem de assuntar nem de assistir, como se ali buscasse o próprio significado da vida, esse mistério que todos nós nunca conseguimos decifrar e do qual nunca conseguimos escapar.

Mas vamos parar de poesia e filosofia e partir para a vida real, o cotidiano. O que afinal aconteceu entre terça e quinta-feira e o que pode acontecer hoje quando o presidente do tribunal recomeçar a refrega?

Como dizia aquele filme sobre a Primeira Grande Guerra que ganhou um Oscar nada de novo no front. O condutor da peleja é um juiz falastrão, pesporrento e  ególatra do Mato Grosso. Tem nome de goleiro e sobrenome português comum. Gilmar Mendes. Foi nomeado para o Supremo Tribunal Federal pelo tucano Fernando Henrique Cardoso, a cujo governo servia como advogado-geral da União. É conhecido pelo culto a si mesmo, que pratica com fervor. Nas brechas que encontro no meu tempo muito ocupado desde sempre, divirto-me, ou melhor, sofro, tentando contar quantas vezes suas frases começam, continuam e até terminam com o pronome pessoal na primeira pessoa. Intriga-me o fato de que se dele  cobrasse dez centavos de cada eu que pronuncia, inverteríamos nossa situação: eu seria um milionário empresário do ensino e da prática jurídica e ele, um pobre operário da informação. Sua vaidade é sesquipedal, Ontem o adversário que ele derrotará hoje pela margem estreita do próprio gol, manifestado através de um voto batizado com a denominação da deusa romana da sabedoria, Minerva, o que não seria o caso, pois nada de sábia, mas apenas oportunista é sua decisão, lembrou sua paternidade no julgamento da ação em questão. Em 2015, com a petista Dilma Rousseff, atolada nos próprios erros que infelicitaram a população brasileira, a então relatora do caso, a advogada formada na Faculdade de Direito da USP no Largo de São Francisco, egressa do Superior Tribunal de Justiça, relatou no TSE o mesmo processo. Fiel a suas convicções ideológicas de esquerda, tentou arquivar o processo, para o qual foi sorteada relatora, para evitar alguns incômodos que a então presidente Dilma Rousseff.

No entanto, foi derrotada no plenário pelo atual presidente Gilmar Mendes, que participara da maioria formada no Supremo que terminaria enterrando as duas gestões do PT na célebre Ação Penal 470, conhecida pelo povo como mensalão. O atual relator, ministro Herman Benjamin, também egresso do STJ, citou ao longo do dia de ontem seu douto e indignado voto para defender a tese do resultado de seu voto, a ser pronunciado hoje: o encerramento do mandato-tampão do vice de Dilma, Michel Temer, e a condenação da titular da chapa a ficar oito anos sem exercer cargo público nenhum, inclusive o de merendeira de escola, como apregoava o ex-presidente e ainda ministro do Supremo, Ricardo Lewandowski, que promoveu, em cumplicidade com o então presidente do Senado e do Congresso, Renan Calheiros, e da maioria dos senadores o sórdido fatiamento do artigo 52 da Constituição para presentear a ex-presidente com essa intervenção espúria.

O presidente da sessão, entretanto, não se fez de rogado e continuou manobrando a reunião para o resultado que, no momento, lhe apraz e que já é rotineiro na história do tribunal, que preside: o culto à impunidade.

Como isso é possível? E que razões ele encontrou para abjurar a condição de padrinho da derrota da ministra Moura há dois anos?

Lembro aqui a famosa sentença do filósofo espanhol o xará José Ortega y Gasset, cuja foto cansei de contemplar nas paredes de meu querido chefe Oliveiros Ferreira, professor emérito da USP e ex-diretor de Opinião do Estado, cuja diretoria foi o único estranho à família Mesquita ocupou desde que o patriarca Júlio comprou o jornal há mais de 100 anos. “O homem é o homem e suas circunstâncias”, ele escreveu genialmente. O baluarte antipetista do mensalão e consequentemente carrasco de Dilma no TSE votou de acordo com suas posições claramente identificadas com o PSDB. Pode ser coincidência, mas é fato. Coincidentemente ou não, ele passou a criticar ferozmente os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato, os agentes da Polícia Federal e os juízes federais que promovem o maior ataque à corrupção brasileira quando estes desvendaram um milagre que não foi narrado nem aos pequenos camponeses portugueses que viram e ouviram a Virgem Maria em Fátima: por que os tucanos fizeram uma oposição tão cega, surda e covarde aos desgovernos petistas de Lula e, depois, de Dilma. Foram comprados. E regiamente pagos, caso dos ex-presidentes do partido que se jactava ser o maior da dita oposição covarde, vagabunda, preguiçosa e cínica Sérgio Guerra, morto, e Aécio Neves, que se transformou por opção pessoal num zumbi político flagrado nas delações premiadas da Odebrecht e de Joesley Batista. Desde então, por coincidência ou gosto, a metralhadora giratória de Gilmar Mendes tem mirado os investigadores e seus colegas que dele discrepam no STF e no TSE. Na corte que agora julga a ação movida pelo PSDB, agora sócio do governo do ex-vice Temer e seu envergonhado alicerce político, tem encontrado, contudo, um adversário à altura. Antes, contudo, de falar de Herman Benjamin, vamos dar a palavra ao próprio Gilmar para ouvirmos como as citações do relator permitiram que usasse como de hábito abundantemente o pronome eu, se orgulhasse de seu papel na corte eleitoral em 2015, mas ainda assim, não acompanhasse Benjamin. Som na caixa, almirante Nelson

Há outra circunstância de Ortega y Gasset que pode explicar a decisão do presidente do TSE agora: sua ligação com Michel Temer, o vice que virou titular. Gilmar Mendes é constante conviva de jantares em palácio com Temer e não hesitou em aceitar o convite do presidente para viajar a Lisboa no Aerolula para o velório do ex-premiê socialista português Mário Soares, velório ao qual, aliás, ele não compareceu. Justiça seja feita: Gilmar nunca escondeu essa relação próxima de ninguém. Mas isso não basta para não a relatarmos como elemento importante neste momento de crise e angústia.

Quer dizer que você já conta como “favas contadas” a vitória e o alívio do atual governo na votação de daqui a pouco no TSE?

Você topa apostar alguma coisa? Uma camisa de Gabriel Jesus contra uma de Zico? Já se falou muito em acórdão nesse caso, o que, aliás, só provoca em mim uma sensação de culpa. Desde as primeiras manifestações do vice-procurador eleitoral, Nicolao Dino, tem aparecido uma figura semelhante à do fatiamento da Constituição: chapa cassada, Dilma sem direitos políticos e Temer habilitado a disputar a presidência na Câmara. Fora do TSE, foro privilegiado reforçado para os ex-presidentes Sarney, Fernando Henrique e Lula. Não sei por que alijaram Fernando Collor da prebenda. E isso não a dignifica em nada, certo? Agora isso está afastado e o jogo que se joga no tribunal é absolvição da chapa Lula e Dilma. Herman Benjamin citou uma imagem a que Gilmar recorreu e eu uso muito aqui. Eu falo sempre e você, ouvinte da Eldorado, testemunha no quadro de Cristo em parede de prostíbulo: ele tudo vê e nada fala. Nem age. Gilmar em 2015 falou em quadro de São Jorge e Herman Benjamin citou. A metáfora é a mesma. A diferença é que o TSE não deve ser comparado neste julgamento ao quadro, mas ao prédio propriamente dito. No entanto, para não perder a oportunosa ensancha de falar do relator, a hora é este. Vale a pena acompanhar o julgamento para ouvir sua voz clara e musical. E seu estilo simples e sem mesóclises e apostos, a linguagem barroco dos ministros dos tribunais. Ontem mandei para uma querida amiga minha, Nice Gold, paraibana e empresária, que vive muito tempo em Nova York, meu comentário elogiando o desempenho lógico e realista de Herman Benjamin contra os disparates de Gilmar Mendes e dois ilustres causídicos nomeados por Temer para se livrar desse empecilho, Admar Gonzaga e Tarcísio Vieira. Vou tomar a liberdade de ler pra vocês todos o recado que ela me passou: “Veja o meu brilhante aluno no Jardim de Infância,Herman Benjamim,para mim Toinho ,filho do médico e nobre amigo da minha família António Benjamim    abr Nicinha” Que despautério, essa teoria de que não se pode usar provas de corrupção na eleição mais fraudada da História da República, porque o TSE não foi capaz de adivinhar que as delações da Odebrecht dariam a prova definitiva desse absurdo.

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A conseqüência disso é que o TSE confirma em seu voto mais importante sua trajetória, primeiro de promotora da impunidade geral das elites políticas que disputam eleições de fancaria e as usam como argumento para se agarrar ao poder para não largar nem os ossos do sobejo do banquete e agora de lavanderia de dinheiro sujo que enriquece partidos e dirigentes, arrancado do bolso vazio do trabalhador desempregado, mal pago e responsável.

Tudo isso para proteger Temer, que, na presidência, só repete a refrão dessa velha canção – e com toda razão porque é impossível encontrar 341 deputados que aceitem a eventual decisão do STF de atender ao pedido de investigá-lo que se espera do procurador-geral Rodrigo Janot. Peço a ajuda do almirante Nelson para você ouvir.

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